e então...
como eu poderia?
você me passou aquele som que eu ouço
passa a manteiga no meu pão
e os fins de semana comigo
é engraçado
talvez absurdo
muitos julgam
mas eu não me vejo
seria como se eu não tivesse cheiro
nem lábios
como se eu não tivesse tato, jeito
não seria fato
seria como se eu não estivesse
de repente
esse é o ximilique que eu escolhi
essa mordida
esse sorriso que você planta e colhe
esse nós
essa vida que vai se encaixando no cosmo
se equilibrando
se aconchegando no tempo
esse tempo só nosso
isso nosso
que eu sei e sinto
e amo.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
.
como
e não deixo de sentir fome
durmo
e não é suficiente
o vazio não preenche
o repouso não descansa
o tremor que me alcança
(flama)
me convence
desatino
desmesura
pra quem ama
não há cura
e não deixo de sentir fome
durmo
e não é suficiente
o vazio não preenche
o repouso não descansa
o tremor que me alcança
(flama)
me convence
desatino
desmesura
pra quem ama
não há cura
domingo, 31 de outubro de 2010
.
queriam retira-la de lá a força. tirar-lhe de seu canto apenas por ser ele tão cheio de vida.
queriam retirar sua força. deixar distantes os rabiscos, os rascunhos, as rasuras e o descontínuo.
viram-na tal qual maçã e a morderam até chegar ao seu centro suculento e claro. após o feito, permitiram que a escuridão viesse e a amargasse por todos os lados.
aspiravam ao descrédito, à descrença. mais senso, segundo eles.
tirar-lhe daquele ponto representava não apenas dor: mais dureza.
viram-na em persistência diária e quiseram silenciar o seu acesso dizendo: não há precisão.
e por quê?
[debatia-se. derramava-se. recompunha-se para dialogar com a razão.]
porque o tempo.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
a bolha
de fininho, bem fininho,
ao tocar sua superfície
queria saber, ô de casa, quem saía
adentrei a capa e
poc
tudo sumiu.
diga-me, sr. brilhante dimaginatíque
como vou adentrar em mim sem dissipar?
de onde eu não deveria ter me retirado, hum?
outros vieram empurrando-me para fora.
fiasco penhasco abismo
há quem diga que eu era um vazio.
Cavo oco vácuo vago
e agora?
o que sou?
vasto labirinto
ora, resto, escombros
ora poeira, sopro
ser o que eu quiser.
como saber o quero sem saber-se ser
cesso.
sobressalto.
desconstruo.
desmantelo.
descontinuo.
antes que, enlouqueço.
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