quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

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e então...
como eu poderia?
você me passou aquele som que eu ouço
passa a manteiga no meu pão
e os fins de semana comigo

é engraçado
talvez absurdo
muitos julgam
mas eu não me vejo

seria como se eu não tivesse cheiro
nem lábios
como se eu não tivesse tato, jeito
não seria fato
seria como se eu não estivesse

de repente
esse é o ximilique que eu escolhi
essa mordida
esse sorriso que você planta e colhe
esse nós

essa vida que vai se encaixando no cosmo
se equilibrando
se aconchegando no tempo
esse tempo só nosso
isso nosso
que eu sei e sinto
e amo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

a cada passo dado em mim, é um perigo de queda
tenho marcas profundas
coração que não é de pedra

preencho os espaço infinitos com sorrisos, com amor
para que  não se machuque como eu
quem cair  em minha dor

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

a despeito de todas as coisas
me apego a sorrisos
olhos cintilantes
dentros expostos

sorrisos de estômago
intestino
rins

não resisto ao jeitos de entortar a cara
aos sons de gargalhadas

ironia
é que agora
seja a minha companhia
de lágrimas...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

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como
e não deixo de sentir fome
durmo
e não é suficiente
o vazio não preenche
o repouso não descansa
o tremor que me alcança
(flama)
me convence
desatino
desmesura
pra quem ama
não há cura

domingo, 31 de outubro de 2010

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queriam retira-la de lá a força. tirar-lhe de seu canto apenas por ser ele tão cheio de vida.

queriam retirar sua força. deixar distantes os rabiscos, os rascunhos, as rasuras e o descontínuo. 

viram-na tal qual maçã e a morderam até chegar ao seu centro suculento e claro. após o feito, permitiram que a escuridão viesse e a amargasse por todos os lados.

aspiravam ao descrédito, à descrença. mais senso, segundo eles.

tirar-lhe daquele ponto representava não apenas dor: mais dureza.

viram-na em persistência diária e quiseram silenciar o seu acesso dizendo: não há precisão.

e por quê?
[debatia-se. derramava-se. recompunha-se para dialogar com a razão.]

porque o tempo.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

a bolha

de fininho, bem fininho, 
ao tocar sua superfície
 queria saber, ô de casa, quem saía
 adentrei a capa e
poc
 tudo sumiu.

diga-me, sr. brilhante dimaginatíque




como vou adentrar em mim sem dissipar?
de onde eu não deveria ter me retirado, hum?
outros vieram empurrando-me para fora.

fiasco penhasco abismo

há quem diga que eu era um vazio.

Cavo oco vácuo vago

e agora?
o que sou?

vasto labirinto
ora, resto, escombros
ora poeira, sopro

ser o que eu quiser.
como saber o quero sem saber-se ser

cesso.
sobressalto.
desconstruo.
desmantelo.
descontinuo.

antes que, enlouqueço.