quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Marina deitou-se sobre inúmeros grãos a olhar o céu
o mar beirou Marina
dizendo daqui pra cá não pode  mais
Marina soube o mar
e a boiar Marina foi-se sobre ele
a olhar o céu
Marina aprendeu a intersecção da escuridão

da escuridão, da escuridão, da escuridão...
jazem cachoeiras e mares

hei de agora pingá-las suavemente
quando ou se necessário
de modo canção
leve e embalando

restos do que eu decompus
apenas
matarei as palavras dentro de mim.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

linha por linha, ou quase.

e aí quando você sentir aquele negocinho de que a coisa vem vindo. desvie da coisa, senão... 
arrá! ( estende as mão, como se fosse dar um susto)
ela acontece mesmo. eu juro! ( beija os dedos cruzados)

(contando um segredo)essa coisa, negocinho... é aquela coisa que não deve acontecer, porque também tem a coisa boa que você deita e (como se sonhasse)ela vem vindo fazendo carinhos gostosos.

eu sei como é, pois (pausa)      já me aconteceu.(olha pra baixo)
é tudo no diminutivo, mas se você deixar, multiplica que só.(abre os braços, mostrando como fica grande quando multiplica)
uma angustiazinha, uma tristezinha, uma insegurançazinha...( entorta a boca)
e tudo tão sem necessidade.( respira insatisfeita)
abra bem os olhos e e ponha a culpa das lágrimas nessa abertura. não deixe o negocinho crescer e ser de verdade. não é, ora.( diz deixando os olhos abertos, com a ajuda dos dedos, até arder e cair uma lágrima)
(tira os dedos dos olhos repentinamente)sabia?
apois, acho que estou descobrindo hoje. (meio sorriso)
eu já embarquei nessa, cara. e lhe digo...
(inventando um personagem que encara a câmera e diz)sai dessa, cara!
abstrai o negocinho, chora com culpa na abertura.( batendo uma mão na outra - uma está como se mede um cachorro e a outra como se recebe uma moeda, a do cachorro bate na moeda como se explicasse algo)
(levanta os ombros e entorta a cabeça, concluindo)dorme e acorda!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

eu
feto de mim
cortei
o cordão umbilical
e me perdi
e por ter posto
tanto fim
[ponto final]
reticenciei.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

são muitos cortes aqui, bem aqui
doem em mim, sangram nos outros
tão bom viver a própria vida e só.
afastando o medo de enlouquecer
que bate a porta todos os dias

a voz baixinho - todos os dias todos os dias todos os dias


um labirinto dos encontros
tudo se perde de tudo
todo mundo de todo mundo
mil muros sobre cada um

(mil muros, múrmurios

 a voz baixinho - todos os dias todos os dias

 e o medo da loucura)

ansiolítico para o tremor sem controle
cigarro para a ansiedade constante
freios para os pensamentos

mas as coisas,
as coisas continuam acontecendo.

a voz baixinho gritando - todos os dias todos os dias todos os dias





sexta-feira, 11 de junho de 2010

...

é que a gente resolveu dar um passeio por outros mundos,
antes de vir parar nesse aqui e,
meu bem, eu lhe agradeço.

quantos grãos poderíamos ter gasto?
quantas estrelas cadentes com desejos apressados?

esse morango menos amargo.
essa manga mais macia.
essa melancia suculenta e vermelhinha.

esse sol das 9 da manhã.
essa maré pra mergulho tranqüilo.
esse dia com azul e vento fresco.

essa presença.
essas viagens.
esses sorrisos.

era só deixar um pouco o tempo e ,
 meu bem, eu lhe agradeço.

esse caminho só.
esse caminho em duo.

isso de repousar sobre seu colo e permanecer
calma e sonhadamente.

Maria Pássaro

eu aprendi mais aprendido ainda que uirá significa pássaro.

como aqueles que entram pela janela  e pomposos pousam  nos meu pratos, na minha caminha...
digo, no meu quarto e na minha cozinha.

como aqueles que perturbam meus cachorros, Gaia e Lampião.

agora vocês já sabem tanto sobre mim.

só digo um pouco mais, pássaros sorriem!

(demais)