sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Eu posso chorar!

Faz muito tempo que sou chorona,  chorona mesmo. Chorona a lá suco de laranja. Me espremo toda até sair a última gota do meu suco. Ora, cada um entristece e se esvazia da maneira que lhe convém.
Faz um tempo que me dizem " não pode ficar chorando assim desse jeito", um tempo desde minha gestação. Sei que o estado emocional da mãe interfere no bebê, mas o que eu deveria fazer então? Explodir ou estragar cheia de suco-lágrima, de angústias... Todos sabem que gestante é sensível e chora mesmo.

Pois...

Depois que Nina nasceu, logo no início, também chorava muito. Tive crises puerpérias fortes, mas tudo nos fortalece e aí a gente vai achando um aconchego de cá e de lá nessa vida dura. Mas ainda assim, ninguém é de ferro. Não acho que ser mãe é padecer no paraíso, minhas desculpas aos que proclamam está frase como hino da maternidade.

Ser mãe é múltiplo, é infinito, é doce, amargo, azedo, salgado , umami! E cá pra nós, não dá pra encarar todos os sabores com um sentimento só.

Tem dia que a gente não se segura, mesmo com aquela coisa lindonéia nos olhando com aquela carinha de susto e tentativa de compreensão ao ver a gente desabar. Mas e aí? O que nossos filhos devem aprender? Que mãe não chora? Não se chateia? Que é fria e inabalável?

Há felicidade, mas não é nada cinematográfico, teatral ou noveleiro. A vida viva fere e cicatriza. Não posso esconder da minha filha parte de mim e também parte dela. Ela também chora.

Não pretendo mandar ela engolir o choro. Certo que consideramos que por certas coisas não é necessário chorar, mas e aí? Vamos deixar as crianças extravasarem, chorando ou não! Se elas ficarem cheia de seu suco-lágrima, também, um dia, se estragam. Elas sabem de menos coisas que nós e a gente ensina as coisas a doerem mais nelas, então, vamos respeitar seu processo de transição e aprendizagem úmido da vida!

Talvez seja por isso que as pessoas estão estragadas! Depressivas... não podem deixar as águas dentro de si rolarem. Todo mundo hoje tem que ser forte e chorar é para os fracos...

Discordo.
Pra mim chorar é para todos e todos são fortes e fracos.

Eu posso chorar!




quinta-feira, 1 de setembro de 2011

.


tem que bastar
apenas sua crença em si

há de bastar

tem que deixar os ouvidos
os olhos alheios 
tem que esquecer
se é guerra
ou provação

o caminho é habitar-se e estar suspenso

há de colher só das cores desejadas
há de ir só, avante, à frente e sempre
e ainda após
tem que conter 
dentro de outro lugar
ter sabedoria e paz
 que é só você
que se desfaz



quarta-feira, 13 de julho de 2011

estou em crise.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

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segunda-feira, 2 de maio de 2011

revolução

do acaso: o ritmo

o vermelho circulando mais depressa
a seca constante

absorção, absorção, absorção

as formas arrendondando-se
as formas diminuídas, crescentes
os elogios que saem da boca e chegam no umbigo

e quanto mais sumo
mais apareço
quanto mais mundo
mais enlouqueço
quanto mais tudo
menos pareço

segunda-feira, 11 de abril de 2011

como gota de chocolate,
 consistente,
 que demora a se desprender do todo,
 chove a chuva,
 embaçando meu dia.
como lágrima.
como estrela cadente que rasga o céu.
como pôr do sol que muda a cor.
como janela empoeirada.
cortina com vento.

nem em tudo eu dou jeito.

posso derreter o chocolate.
enxugar a lágrima.
limpar a janela.
fechar janela para não ventar cá dentro.

mas o que faço com a estrela cadente tão de longe?
e com esse tanto de céu e coisas coloridas pelo sol se despedindo?

sábado, 9 de abril de 2011

nunca achei que eu ia precisar sofrer tanto
que os caminhos seriam tantos e tão difíceis
que as pessoas seriam tão egoístas
tão apegadas à hipocrisia e à moral
nunca achei que o amor pudesse ser descuido

talvez por nunca achar assim
eu me decepcione sempre e tanto
com o mundo
com desconhecidos
e com os mais próximos

será que o mundo tá mesmo  perdido?!
porque amor e amar tem que ser tão difícil?
me vejo em questões e mais questões
retorno aos meus 14 anos
eu escrevia listas e mais listas
eram tantas questões
era eu e a angústia do mundo todo

que nem agora...